Síndrome do ovário policístico (SOP)
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Síndrome de Ovários Policísticos (SOP) é uma das condições clínicas mais comuns entre as disfunções endócrinas que afetam mulheres em idade reprodutiva e tem sua prevalência e importância visualizada em estudos nas mulheres que estão na fase do menacme (período em que a mulher é fértil), pois a principal característica dessa doença é a presença de hiperandrogenismo e a anovulação crônica tornando a SOP a desordem endócrina mais comum nesse grupo.

O que causa?

O capítulo dos estudos relacionados à SOP, ainda é obscuro por não se ter um fator causal específico da doença, fazendo com que seu tratamento, muitas vezes, seja difícil e que deve ser associado. 
No entanto, existem algumas teorias de que a origem seja multifatorial e a etiopatogênia, possa ser relacionada a distúrbios genéticos, metabólicos, endócrinos hereditários e fatores ambientais
Em 2012, surgiu uma teoria chamada de disbiose intestinal: um desequilíbrio entre bactérias que são consideradas benéficas e outras que são consideradas maléficas  - “o bem e o mal” poderia ser a causa da SOP, devido a alguns fatores como: alimentação industrializada, carboidratos primários, ausência de fibras na dieta, alimentação ultraprocessada associada a uma vida sedentária, levariam ao desequilíbrio da flora intestinal e, com isso, favoreceriam uma maior permeabilidade (passagem) de lipopolissacarideos de bactérias gram-negativas que incitariam o sistema imune a induzir um quadro de resistência insulínica. Obviamente, vem se estudando muito sobre esse tema como uma das possíveis causas.
 
Sintomas mais comuns?
 
Os sintomas achados comuns e relacionados a SOP, são as alterações que colocam a autoestima das pacientes para baixo, muitas vezes, sendo manchas escuras nas regiões de dobras como axilas e virilhas, na pele e nos cabelos percebe-se, na maioria das vezes, a tendência a ficarem oleosos e, ainda, o aparecimento de acne que, visivelmente, incomoda muito as pacientes. Estes conhecidos como sinais androgênicos. Outra característica marcante são as menstruações que ocorrem de forma irregular e, muitas vezes, passam meses ou, até, anos sem menstruar, o que caracteriza a anovulação crônica (mulher não ovula) e é um problema para as tentantes no quesito gestação. Não podemos esquecer que é uma doença com componente metabólico e faz parte de uma grande síndrome conhecida na área médica como síndrome metabólica. Foram sugeridos ao longo dos estudos, critérios do Adult Treatment Panel III (ATP-III) para seu diagnóstico e estão listadas a seguir: 
 
Confira se você apresenta
alguma destas características:
 
Circunferência abdominal maior que 88 cm;
 
HDL-colesterol menor do que 50 mg/dL; 
 
Triglicerídeos superior a 150 mg/dL; 
 
Pressão arterial sistêmica maior do que 135/85 mmHg ou uso de anti-hipertensivos; 
 
Glicose superior a 100 mg/dL.

 

Diagnóstico?

Alguns cenários em medicina são favorecidos por protocolos assistenciais e, no caso da SOP, o protocolo, atualmente, mais utilizado para o diagnóstico é o consenso proposto por Teede et al., publicado em agosto de 2018, no qual a presença de ao menos dois dos três critérios diagnósticos – oligoamenorreia, hiperandrogenismo clínico e/ou laboratorial e morfologia ultrassonográfica de policistose ovariana – determina o diagnóstico, desde que sejam excluídas outras doenças que, também, podem apresentar-se com hiperandrogenismo. Por esses critérios, observa-se que é possível encontrarmos pacientes com SOP sem os sinais clássicos de hiperandrogenismo, que é o que caracteriza a doença.
Um outro critério, que causa, muitas vezes, ansiedade nas pacientes, são os achados de cistos ovarianos e, aqui, temos que diferenciar o que é um ovário com cistos de um ovário policístico. O critério ultrassonográfico padronizado, segundo as novas recomendações, deve ser aquele em que é observado a presença de 20 ou mais folículos com diâmetro médio de 2 a 9 mm e/ou volume ovariano total maior ou igual 10 cm³ (exceto se houver cisto funcional - ovulatório);
 
Tratamento?
 
Como vimos anteriormente, o SOP é uma doença multifatorial em que a principal alteração se resume a resistência insulínica (clinicamente observada como escurecimento nas áreas de dobras como axila e região inguinal). Dessa forma, o tratamento se baseia na mudança de estilo de vida através de uma dieta (cortar os lanchinhos, refrigerantes), montando um plano alimentar com auxilio de profissionais da nutrição e atividades físicas regulares, orientado por educador físico, são pilares fundamentais de sucesso.
Quando somente a mudança de estilo de vida não é suficiente para melhora da resistência insulínica, podemos lançar mão de associação a uma medicação conhecida chamada metformina, que é uma medicação que auxilia no processo, porém, isoladamente, não tem benefício de tratamento.
Recebo, diariamente, alguns questionamentos sobre qual anticoncepcional usar para tratar a SOP. Porém, é necessário atentar para esse erro de pensamento. Anticoncepcional NÃO trata SOP, sendo considerada uma terapia de apoio para mulheres que não desejam engravidar e que tenham os sinais androgênicos, como excesso de pelos (hirsutismo), pele oleosa e acne.
Vale ressaltar que o tratamento do hirsutismo é, relativamente, lento e que deverá ser reavaliado após um período de, aproximadamente, 6 meses do início e observar a resposta clínica da melhora ou não desse excesso, pois a lógica desse tempo de reavaliação é fisiológica, devido ao tempo aproximado da duração de um folículo piloso.
 
Prevenção
 
Como não temos uma causa específica e, sabemos que a doença leva a uma resistência a insulina, alterações na pele e, muitas vezes, a infertilidade, medidas básicas devem ser empregadas como, por exemplo, exercícios físicos rotineiros e uma alimentação saudável que levarão a uma melhor qualidade de vida e pode ser uma forma preventiva. 
Fonte: Febrasgo
 
 
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